sexta-feira, agosto 04, 2006

Don’t blame the virus

Qualquer vírus tem como objectivo a sua própria sobrevivência e não a morte do hospedeiro ou das células hospedeiras. É fácil perceber que a morte do hospedeiro mata também o próprio vírus, então porquê que o HIV por exemplo leva à morte do hospedeiro?
Porque qualquer coisa correu mal? Certo. Segundo alguns cientistas o HIV infecta e multiplica-se nos macacos (pelo menos em algumas espécies) sem os levar à morte, mas esse mesmo vírus quando infecta os humanos ou até os chimpanzés provoca a morte do hospedeiro. Segundo os mesmos cientistas esse facto fica a dever-se ao sistema imunitário mais desenvolvido nos humanos e chimpanzés que nos macacos.
Então don’t blame the virus, digo eu...

Futuro negro para Fernando Santos

Depois de ter lido no jornal “A Bola” que o melhor sistema táctico para o Benfica seria o 3-5-2 dei por mim a pensar...
Eu também seria tentado a concordar que a equipa do Benfica, pelos jogadores que tem, se adaptaria com mais facilidade a um 3-5-2 do que a um 4-3-3 ou a um 4-2-3-1, considerando que o 4-4-2 em losango não funciona por causa dos jogadores. O problema é que a implementação de um sistema táctico depende da conjugação positiva de algumas (várias) variáveis. Entre as quais:

1 – Características dos jogadores;
2 – Objectivos da equipa;
3 – Conhecimentos e experiência do treinador na utilização desse sistema;
4 – Expectativas da direcção e dos adeptos.

Ultrapassando o problema da qualidade do treinador do Benfica (para mim não tem qualidade para treinar candidatos ao título), verificamos facilmente que F.S. nunca treinou qualquer equipa nesse sistema e que é avesso a correr riscos. Logo, para mim, esse sistema (3-5-2) não será o escolhido pelo treinador e se for dificilmente funcionará. As outras opções morrem numa análise rápida ao plantel. Mesmo o 4-2-3-1 (se o Simão ficar) que seria a alternativa mais lógica, não aproveita as virtudes do plantel. Em 4-2-3-1 só haveria lugar para um avançado, para um médio centro criativo, e os alas não se poderiam lesionar pois não há substitutos que garantam um desempenho aceitável!
Futuro negro portanto...

segunda-feira, junho 12, 2006

Goleador

Considerando que a contratação prioritária do FC Porto para a próxima época é um goleador, há duas hipóteses:
1- Apostar num goleador mediano ou num jovem e gastar 4 ou 5 milhões de euros.
2- Apostar num verdadeiro goleador e gastar 9 ou 10 milhões de euros.

Uma vez que o plantel está cheio de goleadores medianos e/ou jovens: Adriano, McCarthy, Hugo Almeida, Bruno Moraes, Sokota, Lisandro e Postiga, a aposta terá que ser feita num verdadeiro goleador que garanta uma média de golos superior a 0,5 golos por jogo e com idade que lhe permita jogar mais 5 ou 6 anos ao mais alto nível.
Claro que um jogador destes nunca valerá menos do que 8 ou 9 milhões de euros e exigirá sempre um salário elevado, mas considerando que com a venda de McCarthy, Hugo Almeida e Postiga a SAD deverá fazer um encaixe (a preços de saldo) de pelo menos 11 ou 12 milhões de euros e poupará uma pipa de massa em salários, então a segunda hipótese é claramente a mais racional.
O problema que se levanta é saber qual ou quais os alvos a atacar. Então cá vai a minha lista de sugestões, apenas com os jogadores que considero ser possível contratar:

Dirk Kuyt 1,84m 26 anos (261 J – 122 G)
Nikola Zigic 2,02m 25 anos (171 J – 134 G)
Kris Boyd 1, 83m 22 anos (169 J – 80 G)

Há também outras possibilidades, mas que a meu ver não serão tão fiáveis como as primeiras, embora haja grandes promessas neste lote:

Taylor Twellman 1,80m 26 anos (111 J - 68 G)
Darren Bent 1,80m 22 anos (168 J – 67 G)
Fernando Cavenaghi 1,80m 23 anos (122 J – 62 G)
Thiago Ribeiro 1,83m 20 anos
Nilmar 1,80m 22 anos
Pedro Oldoni 1,91m 21 anos

Já agora faz sentido comparar os números deles com os de alguns jogadores com os quais estamos mais familiarizados:

Jardel 338 J – 299 G
Pauleta 365 J – 189 G
McCarthy 220 J – 111 G
Nuno Gomes 304 J – 120 G
Adriano 134 J – 50 G
Hugo Almeida 68 J – 25 G

Caso queiram ver os vídeos de alguns destes craques podem tentar o site www.youtubes.com

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

A globalização

A grande preocupação do momento à escala mundial, principalmente no ocidente, é a globalização. Não nos termos em que tem sido discutida até agora (na rua por grupos anti-globalização), mas em termos da sua inevitabilidade e da forma como o ocidente deve lidar com ela e se deve preparar para ela.
A globalização em muitos casos selvagem a que temos assistido não tem o meu acordo. A deslocalização da produção e o outsourcing para países que não cumprem as regras básicas de direitos humanos e cujos governos autoritários e muitas vezes corruptos são os principais beneficiários deveria merecer, na minha opinião, um controlo mais apertado. Mas uma coisa é discutir a forma e outra bem diferente é discutir o conteúdo, entendendo por conteúdo o sim ou não a essa globalização. Sem prejuízo de se dever discutir a forma, o conteúdo não é susceptível de ser discutido, a globalização está aí e não tem retorno. Por isso a discussão que realmente interessa neste momento é a que se refere ao modo de cada um de nós se preparar para ela.
Mas essa discussão não interessa a quem tem poder para iniciar o debate de forma efectiva.
Não interessa aos governos. Uns porque são beneficiados pela deslocalização e pelo outsourcing, outros porque não têm boas notícias a dar aos eleitores. Também não interessa aos sindicatos, porque se numa primeira fase é possível defender a manutenção dos direitos adquiridos, a curto prazo esse debate vai deixar claro que os trabalhadores terão que abdicar de alguns deles para não comprometerem o seu posto de trabalho, além de que vai deixar claro que cada vez haverá menos lugar a trabalhadores conformados e sem motivação para desenvolverem novas competências. Não interessa às empresas porque muitas delas lucram muito dinheiro se fecharem os olhos às condições de trabalho e aos direitos dos trabalhadores na maioria dos países para onde deslocalizam a sua produção.
Em suma esta discussão embora interesse a toda a gente em termos gerais, não interessa a ninguém em termos particulares. Esse tem sido o maior obstáculo à discussão deste tema.
Para que estiver interessado, aconselho o livro “O mundo é plano” editado pela Actual Editora e da autoria de Thomas L. Friedman. Confesso que não conheço esta edição em português porque “li” (ouvi) o audio-book (The world is flat) em inglês, mas posso garantir que o audio-book prende a atenção desde o primeiro ao último minuto. E são quase 20 horas de livro...

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Feliz Natal

Portugal Feliz Natal Bélgica (Belgique) Joyeux Noël/ Prettige Kerstfeest República Checa (Ceská Republika) Veselé Vánoce Dinamarca (Danmark) Gloedelig Jul Alemanha (Deustchland) Frohe Weihnachten Estónia (Eesti) Häid Joule Grécia (Ellas) ΚΑΛΑ ΧΡΙΣΤΟΥΓΕΝΝΑ Espanha (España) Feliz Navidad França (France) Joyeux Noél Irlanda (Ireland) Merry Christmas Itália (Italie) Buon Natale Chipre (Kypros-Kibris) KAΛA XPIΣTOYΓENNA Letónia (Latvija) Priecīgus Ziemassvētkus Lituânia (Lietuva) Laimingų Kalėdų Luxemburgo (Luxembourg) Joyeux Noél/Frohe Weihnachten Hungria (Magyarország) Kellemes Karácsonyi Ünnepeket Malta (Malta) il-Milied it- Tajjeb Holanda (Nederland) Prettige KerstfeestÁustria (Österreich) Frohe Weihnachten Polónia (Polska) Wesolych Świąt Bożego Narodzenia Eslovénia (Slovenija) Vesel bo?ič Eslováquia (Slovensko) Veselé Vianoce Finlândia (Suomi) Hyvää Joulua Suécia (Sverige) God Jul Reino Unido (United Kingdom) Merry Christmas.
Fonte: Centro de Informação Europeia Jacques Delors

terça-feira, novembro 29, 2005

Ainda o aeroporto da Ota.

O ministro Mário Lino veio a público dizer que dentro de dias vai estar disponível, na Internet, uma lista com os nomes dos proprietários dos terrenos onde irá ser construído o novo aeroporto da Ota. Segundo ele essa iniciativa garantirá a transparência do processo e demonstrará que a grande maioria dos proprietários adquiriu os terrenos em datas anteriores à tomada de posse deste governo.
Para mim e para muita gente o processo é já bastante transparente. Os proprietários com maior peso compraram os terrenos muito antes deste governo tomar posse e muito antes do governo anterior tomar posse, mais precisamente no tempo do governo de António Guterres, que curiosamente foi quem deu o pontapé de saída para a construção de um novo aeroporto. Foi também o governo de António Guterres que anunciou que a candidatura da Ota vencera a de Rio Frio.
Por outro lado o negócio dos terrenos não ficará confinado à zona do aeroporto, o maior negócio será a transformação de terrenos rústicos em urbanos nas zonas envolventes do aeroporto. É também transparente que essas zonas pertencem a três municípios PS. Alenquer, Azambuja e Vila Franca de Xira e que o PS tem essas câmaras há oito ou mais anos.
Por outro lado é também bastante transparente que o aeroporto não irá ser pago pelos privados como o governo quer fazer crer. Se a exploração do aeroporto irá ser feita pelos privados então é bastante transparente que os lucros de exploração do mesmo não vão entrar como receitas nos Orçamentos de Estado como acontecia até aqui. Logo é transparente que os OE futuros terão menos essas receitas, logo seremos nós todos a pagar o aeroporto tal qual seríamos se ele fosse construído com dinheiros públicos, com a agravante da remuneração do capital ficar do lado de privados e de estes poderem decidir as taxas a cobrar em função dos seus interessas e não em função do interesse público.
Além de todo o resto acresce dizer que é transparente que o novo aeroporto não vai servir a maioria da população uma vez que fará com que o tráfego aéreo dos outros aeroportos seja reduzido ainda mais e que as rotas regulares para o estrangeiro desapareçam tornando o país ainda mais centralizado.
Por tudo isto entendo que é infundada a preocupação do Ministro Mário Lino. A transparência está garantida...

sábado, novembro 26, 2005

Nova Colaboradora

É com o maior prazer que o "Despenteado" comunica a todos os habituais leitores a inclusão de um novo colaborador. De facto, desde o passado dia 18 de Novembro, após 9 meses de espera, conseguimos assegurar a contribuição da Diana Sofia (ou, se preferirem, da "Baby Voice").
Com apenas 7 dias de vida, não será de esperar que esteja disposta a perder o seu precioso tempo com análises irrevelantes ao ainda mais irrelevante Orçamento de Estado (apesar de já ter sujado uma fralda quando o papá New Voice lhe falou sobre o Aeroporto da OTA), nem estará em condições de analisar um qualquer jogo do F.C. Porto (aqui assemelha-se bastante ao Mister Co Adrianse...).
Será no entanto de esperar que, brevemente, nos transmita a sua douta opinião relativamente ao IVA das fraldas ou ao preço do leite em pó.
Em nome de toda a equipa do "Despenteado" queremos dar as boas-vindas à pequena Diana e desejar-lhe as maiores felicidades.
Com um grande beijo do papá,
New Voice

domingo, novembro 13, 2005

O Orçamento de Estado

Verificou-se, no recente debate do OE para 2006, a grande diferença entre um governo que acredita nas opções que tomou e uma oposição que acredita que tem a “obrigação” de o criticar sem acreditar realmente no que diz.
O resultado só poderia ser o reforço da posição do governo e de José Sócrates. A oposição (especialmente o PSD e o PP) não entendeu que tudo o que dissesse poderia ser usado contra si e falou de mais sobre temas que eram batalhas perdidas (tal o desempenho dos seus governos nessas matérias) e não falou de outros que mereciam mais atenção, mas exigiam estudo e trabalho de casa.
O grande calcanhar de Aquiles deste OE, no que diz respeito à sua discussão na generalidade, tem a ver com a estratégia de crescimento da economia. Com o prometido plano tecnológico a tardar em ser apresentado o governo não teve, a meu ver, nessa matéria a segurança demonstrada nos outros itens, mas a oposição sem ideias e a abusar dos lugares comuns não soube explorar essa debilidade.
O PC e o BE passaram o debate a reclamar mais “estado social” sem apresentarem soluções para o seu financiamento, o PSD e o PP passaram o debate a criticar o aumento de impostos, as SCUT’s, a OTA e o TGV. Se é certo que há lugar a criticas no que respeita a algumas dessas opções, também é verdade que nem o PSD nem o PP têm autoridade moral para se apresentarem como exemplos nessas questões.
De tudo isto resultou que José Sócrates respondia à esquerda com um tom paternalista, garantindo que as questões sociais são um tema caro a este governo, mas que este não é o momento para aumentar os encargos do estado. E respondia com KO’s sucessivos às intervenções das bancadas mais à direita.
Com a esquerda sem força para remar contra o imperativo da redução de despesas e com o líder do PSD derrotado por KO no primeiro dia, restou o PP para salvar a honra do convento, mas os imberbes deputados populares caíram na tentação do populismo e, embora tivessem conseguido pôr o primeiro-ministro menos confortável (especialmente com a questão do alegado acordo entre o governo da República e o dos Açores), nunca passaram do populismo inconsequente.
Ficou claro que o PC e o BE não contam para o “totobola” em termos de alternativa de governo e ficou também claro que tanto PSD como PP atravessam momentos difíceis e que os tempos mais próximos serão ainda piores.
O PP tem uma bancada parlamentar que está de costas voltadas à liderança do partido e o que se prevê é uma luta acesa entre as duas facções. Pires de Lima está a preparar o terreno para atacar a liderança e as próximas eleições presidenciais vão tornar mais claro se realmente tem condições para o fazer. São públicas as diferenças de opinião sobre esta matéria, mas a previsível vitória de Cavaco Silva pode dar um novo alento a Ribeiro e Castro e fazer com que Pires de Lima tenha que esperar por melhores dias.
No PSD a realidade é mais clara. Marques Mendes é um líder a prazo, é a “lebre” que vai rebocar o partido até chegar a altura dos verdadeiros candidatos assumirem a liderança. António Borges vai ficar na “roda” até aos últimos quilómetros e com a meta à vista (próximas eleições legislativas) assumirá o papel de salvador. Falta saber se terá estofo político, para além do reconhecido estofo técnico, para levar o PSD de volta ao governo.
Agora, relativamente a este OE, falta a discussão na especialidade e essa será a derradeira oportunidade para a oposição marcar pontos. Embora as linhas mestras deste OE sejam correctas (alinho com a opinião da generalidade dos observadores e técnicos) as opções adoptadas em concreto têm alguns pontos fracos. Tomo como exemplo o combate à fraude e evasão fiscal e o objectivo de reduzir os abusos feitos no acesso ao subsídio de desemprego. O objectivo de combater a fraude e evasão fiscal é meritório e inatacável, mas a opção do governo em transferir para os contribuintes algumas funções de fiscalização que cabem em exclusivo ao estado, não pode ser considerada a opção correcta.
No que diz respeito ao objectivo de reduzir os abusos feitos no acesso ao subsídio de desemprego, as alterações são necessárias e urgentes, mas as propostas avançadas pelo governo podem revelar-se nocivas para a economia e para o objectivo de dinamizar o mercado de emprego. Estes são dois exemplos de áreas onde a oposição pode e deve intervir apresentado propostas de alteração, mas há, a meu ver, outras.
Resumindo. Para mim este OE merecia ser aprovado na generalidade, mas requer ser discutido e alterado na especialidade. De qualquer forma este é o melhor Orçamento de Estado dos últimos anos e só pelo facto de ser um OE que não se baseia nas receitas extraordinárias e nos artifícios contabilísticos merece ficar para a história como um exemplo a seguir no futuro.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Invenção ou inovação

Segundo o Livro Verde da Inovação elaborado pela Comissão Europeia, “Inovação é sinónimo de produzir, assimilar e explorar com êxito a novidade, nos domínios económico e social”. Ou seja, inovar é:
Renovar e alargar a gama de produtos e serviços e dos mercados associados; Criar novos métodos de produção, de aprovisionamento e de distribuição; Introduzir alterações na gestão, na organização do trabalho e nas condições de trabalho, bem como nas qualificações dos trabalhadores.
Em Portugal a inovação tem sido tratada como se de invenção se tratasse. Quando os media falam de inovação, apresentam normalmente exemplos de invenções ou de tecnologias complicadas e de aplicação restrita. Embora essa seja uma forma de inovar, a inovação não é só isso.
Nós devíamos olhar para a inovação numa perspectiva mais real, mais prática, como um desafio ao alcance de todos e não como algo que só está ao alcance das empresas que utilizam tecnologia de ponta, ou das que têm possibilidade de afectar, a esta área, montantes elevados do orçamento. Só dessa forma podemos pensar que a inovação pode ser realmente uma ferramenta poderosa para o desenvolvimento do país. Nenhum país pode estar à espera de sustentar o seu crescimento num punhado de iluminados que inventem meia dúzia de produtos fantásticos. Mas pode esperar que cada um de nós, num processo contínuo, vá contribuindo melhorar as pequenas coisas que estão ao seu alcance.
É claro que o estado pode e deve promover a ciência e a tecnologia de forma a apoiar quem tem capacidade para criar ou desenvolver produtos ou serviços de elevado valor acrescentado, mas a grande aposta deve ser feita nos outros.
Sem necessidade de grandes investimentos é possível sensibilizar as empresas para a necessidade de inovar. É possível fazer isso criando manuais e páginas na net com conselhos de gestão, de gestão financeira, de organização administrativa etc. É possível fazer isso envolvendo as associações empresariais, as universidades, as empresas públicas, as empresas privadas interessadas e todas as instituições do estado.
Mas é importante garantir que essa informação chega de forma massificada ao destino. Isso pode ser feito aproveitando todas as oportunidades para divulgar a informação ou os locais onde está disponível: correspondência de instituições públicas, sites, balcões de atendimento etc. Muitas vezes basta uma pequena dica para que o empresário crie um novo objectivo e se auto-motive para a mudança.
Se cada um de nós inovar por ano em dois ou três processos, sejam eles o processo produtivo, de distribuição, de gestão, de informação, de arquivo etc, as empresas e todas as outras instituições estarão a dar um contributo importante para aumentar a produtividade e a competitividade do país. Mesmo os trabalhadores, os clientes, os fornecedores ou os simples utentes de qualquer empresa ou instituição podem e devem dar um contributo importante neste processo. E podem fazer isso dando sugestões ou reclamando, debatendo ou criticando.
Como disse recentemente Belmiro de Azevedo, a forma mais fácil de inovar é inovar nos processos administrativos. Cada empresa tem (ou adquire facilmente) o know-how necessário para tal e o investimento é, em regra, reduzido. Acresce que o retorno em termos de produtividade é normalmente muito elevado.
O que continua a faltar é uma estratégia adequada para divulgar e promover este objectivo. E era tão fácil fazê-lo...

domingo, outubro 23, 2005

Tiago Monteiro na F1 em 2006?


Tiago Monteiro

Depois de vencer o “seu” campeonato, o campeonato dos rookies, Tiago Monteiro provou que é de longe o melhor dos estreantes da F1 e provou que tem lugar no exigentíssimo mundo da Formula 1, assim os patrocinadores ajudem...
Parabéns e boa sorte Tiago.

quinta-feira, outubro 20, 2005

A essência do conhecimento

Finalmente Co Adriaanse mudou! E não estou a falar só nos jogadores, estou a falar principalmente no sistema de jogo. É evidente que a mudança de jogadores facilitou a mudança do sistema de jogo e permitiu retirar da “fogueira” jogadores que estavam a ficar “queimados”, mas era o sistema de jogo que estava em causa. Como o próprio Co Adriaanse afirmou no final do jogo: “Mudei o sistema, não mudei a filosofia”. Nem os portistas queriam que ele mudasse a filosofia de ataque que tem caracterizado a equipa, queriam que a equipa fosse capaz de vencer jogos, só isso.
No jogo de ontem com o Inter, o Porto conseguiu corrigir (em grande parte) três dos principais defeitos da equipa:
- A subida simultânea dos laterais
- O despovoamento do meio-campo mais recuado e o consequente desequilíbrio nas transições defensivas
- A macieza da equipa
Um trinco de raiz (Paulo Assunção) no lugar de um trinco adaptado (Ibson) com uma boa cultura táctica e um grande pulmão foi o suficiente para compensar as subidas dos laterais (principalmente Bosingwa), preencher melhor o meio-campo, filtrar os movimentos ofensivos do adversário e permitir que as subidas de Lucho não resultassem em contra-ataques perigosos. Isto aliado ao facto de Cech subir pela certa e ser aplicado a defender e ao regresso de Pedro Emanuel, permitiu ao Porto anular praticamente todas as jogadas de bola corrida do Inter.
Já o mesmo não se pode dizer dos lances de bola parada, aí o Porto continua a demonstrar pouco trabalho de casa. Basta verificar que praticamente todas as oportunidades do Inter (e não foram poucas) resultaram de cantos ou livres.
Em minha opinião, a alteração do sistema de jogo que passou a contar com um trinco a jogar “entre as linhas” (defesa e meio-campo) foi a principal causa da redução das fragilidades defensivas da equipa. Como se tinha visto na Madeira contra o Marítimo a equipa com um trinco de raiz rende muito mais. Nesse jogo o Porto dominou (e marcou dois golos) a partir do momento em que entrou Paulo Assunção e perdeu esse domínio no momento em que ele foi retirado da sua posição habitual e passou a jogar como central.
O Porto ainda não é uma equipa equilibrada, mas o caminho é este. Se o trabalho futuro for feito em cima desta base, a equipa pode melhorar muito.
Como dizia Confúcio: “A essência do conhecimento consiste em aplicá-lo, uma vez possuído”.

domingo, outubro 16, 2005

Co Adriaanse não viu...

“Co Adriaanse não viu”, este é o resumo do que tem sido o treinador do F.C. do Porto desde que chegou.
Ele não viu que com o estilo de jogo que a equipa tem apresentado a “contra-táctica” é muito simples (tenham os treinadores adversários jogadores para isso). Não viu que o modelo naif é muito bonito se for doseado, caso contrário é muito feito. Não viu que no final do jogo quem ganha leva os três pontos e que tem mais pontos... ganha. Não viu o porquê de nunca ter ganho a um treinador mediano como o Koeman e insistiu no mesmo erro. Não viu os jogadores que tem, terá visto metade ou pouco mais, caso contrário há muitas opções que não se entendem. Não viu que tem feito figuras ridículas umas atrás das outras, senão falava menos e trabalhava mais. Não viu que a solução não é apontar erros individuais em todos os jogos, senão tratava de os corrigir ou de substituir quem erra demais. Não viu que espectáculo só é espectáculo se agradar a quem lhe paga, senão é um mau espectáculo e ninguém paga para ver maus espectáculos. E não viu os lenços brancos, não viu os lenços nem ouviu o que disse. Ter um treinador cego é mau, mas ter um treinador cego e surdo é ainda pior.

A Europa e a “generosidade”

Durão Barroso nunca foi exímio em escolher as palavras, mas houve uma expressão que me soou particularmente mal: “A generosidade da Europa”
“A generosidade da Europa” é o título de um artigo assinado por Durão Barroso no qual o Presidente da Comissão Europeia enaltece a politica de relacionamento económico da Europa com os países mais pobres e apela aos EUA para que sejam igualmente generosos com esses países. Durão Barroso refere uma série de números que pretendem provar essa “generosidade”. Sem querer pôr em causa esses números, considero que a palavra “generosidade” é no mínimo muito mal escolhida. A Europa só tem a perder se não quiser ajudar os países pobres, nomeadamente os países africanos. Não se contém a imigração ilegal proveniente desses países (apenas) com maior controlo nas fronteiras, contém-se essa imigração dando melhores condições de vida às populações nos seus países de origem. Não se consegue baixar o nível de ajudas humanitárias se não se conseguirem garantir melhores condições de vida às populações residentes.
É bom relembrar que estou a falar das relações económicas entre a Europa e os países mais pobres (é sobre isso que escreve Durão Barroso), não estou a falar em ajudas humanitárias às populações desses países, as ajudas em forma de alimentos ou medicamentos são outra realidade diferente da que estou a abordar. Infelizmente uma realidade cujo fim depende da capacidade de investir melhor nas relações comerciais a que se referia Durão Barroso.
Logo a “generosidade” soa a investimento, investimento mal feito por sinal, mas investimento.
Eu digo que o investimento é mal feito porque, da forma como tem sido feito, não cumpre o objectivo de melhorar a qualidade de vida das populações, mas sim a qualidade de vida da classe dirigente desses países. As populações irão continuar cada vez mais pobres e a “generosidade” da Europa irá parar às mãos dos mesmos.
A Europa terá que ter, também neste caso, a coragem de investir em quem der garantias de retorno. E o retorno, neste caso, mede-se pela capacidade de distribuir melhor a riqueza.
De pouco vale a Europa comprar 85% das exportações agrícolas de África se o lucro dessas vendas, ou grande parte dele, não servir políticas de melhoria das condições de vida das populações e se não for investido no aumento da produção, da qualidade dos produtos e na criação de mais postos de trabalho.
Por tudo isto e em resumo sou a favor de uma política “caso a caso” no que diz respeito ao investimento europeu de incentivo à produção nesses países. É tempo de premiar quem merece e esperar que os outros lhes sigam o exemplo para passarem a ser alvo do mesmo tratamento. Uma política cega que trata por igual quem tem políticas de desenvolvimento sustentado do seu país e quem enriquece à custa do sofrimento das populações não pode continuar sob pena de estarmos a premiar criminosos.

terça-feira, outubro 11, 2005

Começar cedo que se faz tarde...

O F.C.Porto – Benfica de sábado já começou. Começou com o adiamento quase certo do castigo ao Petit para que este possa jogar no Dragão. Continuou com o anúncio do interesse do Benfica em Targino (jogador do Guimarães que foi agredido pelo Petit) e com a intenção de o arrolar como testemunha abonatória! E continua, agora, com o anúncio do árbitro para o clássico. Como vinha sendo vaticinado por muita gente, Lucílio Baptista é o árbitro escolhido.
Este jogo começou antes de se ter iniciado, esperemos que não acabe antes de ter terminado, é que este Lucílio Baptista é perito em acabar com os jogos cedo...

quinta-feira, setembro 29, 2005

F.C.Porto 2 - Artmedia 3

Não, não foi só ontem. O FC Porto está a jogar da mesma forma desde o início da época. Continua a jogar um futebol naif virado para o ataque sem cuidar dos necessários movimentos defensivos, das compensações, do correcto preenchimento dos espaços, da gestão do tempo e do resultado, de tudo aquilo que uma equipa profissional de futebol tem que dominar e que tem que ser a base do seu jogo.
O porto não tem nada disto. Os laterais sobem ao mesmo tempo (como disse o treinador do Artmedia) e não há quem compense essas subidas. A equipa fica partida sempre que ataca porque os médios encostam aos avançados formando uma linha de ataque de 5 ou 6 elementos que despovoa o meio-campo e consequentemente não permite o correcto preenchimento dos espaços no momento da transição defensiva (como dizia o Carvalhal, a transição defensiva é um ponto fraco do Porto). O resultado imediato é que a equipa adversária ao recuperar a posse da bola a meio do seu meio-campo deixa de imediato para trás 5 ou 6 jogadores do Porto, com um pouco de sorte fica apenas com a defesa pela frente e nem sempre completa. Por outro lado o futebol demasiado vertical não permite que a equipa ganhe rotinas de controlo do tempo e do resultado. As movimentações ofensivas estão mecanizadas para chegar rapidamente à baliza adversária, não existem rotinas para “descansar com bola” como o Mourinho gostava. As trocas de bola em ritmo mais pausado acontecem apenas em terrenos muito recuados e que representam um risco acrescido numa eventual perda de bola. A acrescentar a tudo isto a equipa é demasiado macia e não se dá bem com adversários que joguem duro ou que utilizem um futebol de muito contacto físico e se o arbitro tiver um critério largo as coisas pioram substancialmente.
O pedido de desculpas de Co Adriaanse ficou-lhe bem. Depois da figura ridícula que ele e a equipa fizeram esse pedido de desculpas era necessário. O problema é que o pedido de desculpas dá a sensação que aquilo que aconteceu foi um percalço. Para mim o que aconteceu é resultado do futebol que a equipa pratica, logo, em meu entender ou a equipa muda o estilo de jogo ou se arrisca a ter mais resultados como este.
O jogo de ontem foi muito parecido com o jogo de Glasgow. O Porto rematou 3 ou 4 vezes mais que o adversário e perdeu, o adversário conseguiu um aproveitamento quase total das oportunidades que criou e o Porto não conseguiu segurar o resultado em ambos os jogos. Até o resultado foi igual: 3-2.
O Porto teve azar em falhar tantas oportunidades? Talvez. Teve azar em sofrer golos sempre que a bola chegava à área? Penso que não, penso que sempre que o adversário chega à área do Porto o faz com perigo, porque os movimentos defensivos não estão trabalhados e porque normalmente o balanceamento ofensivo faz que, quando o adversário consegue meter mais que um jogador no contra-ataque a finalização é feita, frequentemente, em situações de um para um. Depois há as situações das bolas por alto. São meio golo! A equipa marca mal em lances de bola parada e, tirando o Bruno Alves e o Pedro Emanuel, os outros são muito macios na disputa dos lances.
Este último jogo com o Artmedia veio mostrar a todos os treinadores a forma de ganhar ao Porto: futebol duro e físico, meio-campo reforçado e a jogar recuado para deixar espaço para o contra-ataque, poucos espaços no último terço do campo, dois jogadores bem abertos nas alas nas situações de ataque, criação de lances de bola parada e principalmente uma equipa que assuma que vai fazer um jogo de contra-ataque.
Apesar de tudo continuo a pensar que para ganhar o campeonato é capaz de dar, mas para as competições europeias não dá. A não ser que o treinador consiga, rapidamente, alterar o que está mal.

sábado, setembro 24, 2005

Factos e perguntas. Sem comentários

Factos:

(...)Um relatório da Inspecção-Geral de Finanças, entregue em Julho e hoje citado pelo ministro, aponta irregularidades na gestão das verbas do projecto, nomeadamente o pagamento pela Metro do Porto de obras das autarquias e grande quantidade de contratos entregues a empresas por ajuste directo.O ministro afirmou que foram estas adjudicações por ajuste directo ou mini-concursos, bem como a alteração do projecto inicial, para inclusão de obras não previstas, a ditar o aumento dos custos, mas rejeita agir contra os responsáveis da empresa pública."Não é intenção deste Governo desenterrar processos, não há nenhuma razão para que se abra um procedimento criminal ou doloso contra a administração da Metro do Porto. Há decisões discutíveis", argumentou Mário Lino.(...)
In “público” 21/09/2005

A Empresa Metro do Porto é empresa privada de capitais públicos, logo rege-se pela Lei 58/98 de 18 de Agosto:

Artigo 1º
Âmbito
1 - A presente lei regula as condições em que os municípios, as associações de municípios e
as regiões administrativas podem criar empresas dotadas de capitais próprios.
2 - As entidades referidas no número anterior podem criar, nos termos do presente diploma,
empresas de âmbito municipal, intermunicipal ou regional, doravante denominadas empresas,
para exploração de actividades que prossigam fins de reconhecido interesse público cujo
objecto se contenha no âmbito das respectivas atribuições.
3 - Para efeitos da presente lei, consideram-se:
a) Empresas públicas, aquelas em que os municípios, associações de municípios ou regiões
administrativas detenham a totalidade do capital;
b) Empresas de capitais públicos, aquelas em que os municípios, associações de municípios
ou regiões administrativas detenham participação de capital em associação com outras
entidades públicas;
c) Empresas de capitais maioritariamente públicos, aquelas em que os municípios,
associações de municípios ou regiões administrativas detenham a maioria do capital em
associação com entidades privadas
Artigo 25º
Património
3 - É vedada às empresas a contracção de empréstimos a favor das entidades participantes e a
intervenção como garante de empréstimos ou outras dívidas das mesmas.

Perguntas:

Segundo parece haveria matéria suficiente para ser aberta uma investigação. Então porque é que o ministro decide “esquecer” o assunto?

Porque é que Rui Rio ficou tão agastado com a escolha dos jornalistas destacados pela SIC para o debate autárquico e ameaçou falar com Pinto Balsemão (In “Público” de 22/09/2005)?

Será que foi por ter sido interpelado acerca dos comentários feitos por Paulo Morais dando conta de pressões?

Será que esse tema estava interdito?

Qual é a característica comum a quase todos os processos em que os autarcas são suspeitos?

Será o financiamento partidário ilícito?

Será que os processos que envolvem autarcas são apenas a ponta do icebergue?

Não seria boa ideia começar por descobrir quem avisou Fátima Felgueiras e lhe deu a possibilidade de fugir?

Não seria boa ideia descobrir se Fátima Felgueiras falou realmente com dirigentes do PS?

Não seria boa ideia investigar as afirmações de Isaltino Morais que acusava Marques Mendes de ser o político que mais amigos metia no aparelho de estado?

quarta-feira, setembro 21, 2005

Gerir

Poderão as máquinas substituir a curto prazo os operários, todos os operários?
Há quem defenda que num prazo de 30 ou 40 anos o mundo não terá aquilo a que chamamos operários, terá apenas trabalhadores qualificados e quadros superiores e mesmo estes serão afectados pela menor oferta de emprego.
Embora historicamente esteja demonstrado que a evolução tecnológica provoca desemprego, a história também tem demonstrado que o mercado de trabalho tem tido, de forma geral, a capacidade de reabsorver esses trabalhadores. Mas esta realidade pode estar prestes a ser alterada. O número de desempregados poderá crescer de forma tão rápida que a economia irá necessitar de muito tempo até conseguir acomodar os excedentes, se conseguir... Jeremy Rifkin não acredita que consiga.
Segundo Jeremy Rifkin, a perda de empregos a favor de mercados com mão-de-obra mais barata representa apenas 5% ou menos dos empregos que desapareceram. Segundo o mesmo autor, a China eliminou o posto de trabalho de 15% dos trabalhadores fabris nos últimos 7 anos e, no mesmo período, 14% dos trabalhadores fabris de todo o mundo ficaram sem emprego. Segundo ele, estes postos de trabalho foram eliminados para sempre. A este ritmo, defende Rifkin, dentro de 30 ou 40 anos as máquinas farão o trabalho dos operários e a economia não terá a capacidade de oferecer o mesmo número de empregos nos sectores de futuro. Segundo ele, esses sectores nunca serão sectores de mão-de-obra intensiva, logo os empregos que poderão gerar não serão suficientes para garantir o emprego a todos aqueles que ficaram desempregados.
Por muito erradas que possam estar as previsões de Rifkin, elas ajudam a perceber melhor a realidade que estamos a viver e a prever o futuro.
Por vezes, ou a maioria das vezes, estamos tão (pre)ocupados em olhar para a árvore que nos esquecemos de observar a floresta. Se nos fixarmos na árvore, quando nos apercebermos do incêndio pode ser tarde, ao passo que observando a floresta temos muito mais hipóteses de detectar a tempo o incêndio.
A principal função de um gestor é observar a floresta. Afinal gerir não é mais que prever o futuro, ou pelo menos estar preparado para ele.

terça-feira, setembro 20, 2005

Irão

Amir Taheri foi director do maior jornal Iraniano até 1979 (ano da revolução islâmica no Irão liderada pelo Ayatollah Khomeini), autor de 10 livros sobre o Médio Oriente e o Islão e autor de inúmeros textos sobre este tema publicados em alguns dos mais conceituados meios de informação do planeta.
Amir Taheri é, concorde-se ou não com ele, uma autoridade no que diz respeito ao Médio Oriente e principalmente ao Irão.

Num dos seus mais recentes artigos (publicado na Newsweek), Amir Taheri defende uma tese que vai contra o que tem sido escrito no Ocidente sobre o Irão, além de ir muito mais longe na análise que faz ao actual regime iraniano.
Ele diz entre outras coisas: (…)«Given headlines in Europe and America, you would think that the crisis in relations is about nuclear weapons. But the real cause is far broader: Iran's determination to reshape the Middle East in its own image—a deliberate "clash of civilizations" with the United States. This is bound up with a second misconception about Iran, the idea that the regime is divided between "conservatives" who oppose accommodation with America and the West, and "moderates" more inclined to return their country to the community of nations. The real power in Iran, punctuated by the ascent of Ahmadinejad as president, is now the Revolutionary Guards.»(...)
(…)«Ahmadinejad's victory is the beginning of the end of the clerics' dominance. He is the first non-mullah to become president since 1981. The holder of a Ph.D., he is also the best educated of the six Islamic presidents so far. His humble background and populist discourse have won him a genuine base, especially among the poor who feel let down by corrupt religious leaders.»(...)

Ou seja, para ele e ao contrário da opinião dominante no Ocidente, quem detém o poder no Irão já não são os líderes religiosos, mas sim os “Revolutionary Guards” e os actuais líderes políticos, o que segundo ele é uma mudança para pior:
(…)«A month ago General Safavi declared before an audience of senior naval officers that Tehran's mission was to create "a multipolar world in which —Iran plays a leadership role" for Islam. Recently Ahmadinejad announced one of the most ambitious government mission statements in decades, declaring that the ultimate goal of Iran's foreign policy is nothing less than "a government for the whole world" under the leadership of the Mahdi, the Absent Imam of the Shiites—code for the export of radical Islam. As for the only power capable of challenging this vision, the United States is in its "last throes," an ofuli (sunset) power destined to be superceded by the toluee (sunrise) of the Islamic republic. Geopolitical dominance in the Middle East, the tract unequivocally stated, is "the incontestable right of the Iranian nation."»(…)

Cá está novamente a tese da criação de um Califado que eu defendi no “post” de 10 de Agosto.
O Ocidente tem que discutir a ameaça dos islamistas radicais na base das suas reais motivações e abandonar a discussão estéril acerca do que pode ter provocado a sua ira. Isso é para ser discutido quando a ameaça que eles representam para as nossas sociedades tiver sido eliminada. Até lá, quer se queira quer não, vamos inevitavelmente causar mais ira e mais ódio, mas não parece que possa ser de outra forma. Não vale a pena estar com falinhas mansas, os islamistas radicais são a maior ameaça que o planeta enfrenta. Ou conseguimos limitar essa ameaça a níveis aceitáveis ou então viveremos o nosso dia a dia à espera de sermos atacados, em casa, no carro, no comboio, no metro, no autocarro, no cinema, no centro comercial, na escola, no estádio em qualquer lado.

E a ameaça é muito séria, como faz questão de salientar Amir Taheri:
(…)«Westerners might be tempted to dismiss this as rhetorical saber rattling. It is not. Iran has always played a leading role in Islamic history. It is one of only two Muslim nations never colonized by the Western empires. It occupies a central position in the "Islamic arc" stretching from the Atlantic to the Indian Ocean. It has the largest economy and the strongest military in the Muslim world; it sits atop vast pools of rapidly appreciating oil wealth. The only other Muslim country capable of rivaling it—Turkey—has decided to abandon the Muslim world and join the European Union.»(...)
(…)«The problem is that Tehran feels no pressure. Thanks to rising oil prices, Iran is earning almost $200 million a day and can now throw lots of money at social and economic problems. More important, the 2008 U.S. presidential campaign will soon heat up, diverting attention from problems abroad that American voters (and policymakers) would prefer to ignore. In the meantime, Iran will either have, or would be close to having, its first atom bombs. The next American president may find himself in the un-enviable position of either offering Iran an even grander "bargain" or facing a much bigger war against a much larger adversary than either Afghanistan or Iraq.»(…)

Vários analistas defendem que o Irão poderá ter pronta a primeira bomba atómica até ao final da década, ou seja num prazo de cinco anos. Se assim for, num prazo relativamente curto o Ocidente vai ter que enfrentar um inimigo poderoso e armado com uma das mais devastadoras armas de destruição maciça. Para lhe fazer frente, e excluindo a via diplomática, o Ocidente que neste momento está comodamente instalado em frente da televisão olhando para as notícias como de uma ficção se tratasse, vai ter que mobilizar uma enorme quantidade de homens e material, o que significa muito dinheiro. Eu excluí a via diplomática porque, como está à vista de todos, o Irão apenas se sentou à mesa das negociações para ganhar tempo, no momento da verdade sempre recusou as contrapartidas oferecidas pelo Ocidente.
O Irão irá tentar, como Sadam Hussain, aumentar as suas reservas de petróleo pela força, criando numa primeira fase fracturas no tecido social dos seus vizinhos, nomeadamente no Iraque. Uma guerra civil entre sunitas e xiitas iraquianos serviria às mil maravilhas os objectivos do Irão. Seria o primeiro passo para, pelo menos, anexar o sul do país e apoderar-se das reservas suas de petróleo. Depois seria uma bola de neve, com mais dinheiro e mais poder, assumindo-se como o líder do Mundo Muçulmano o Irão facilmente atrairia todo o tipo de apoios.
Nesse momento qualquer tipo de negociação seria impossível, ou quase. Quem tem o poder não sente necessidade de o negociar...
Esse poder teria que ser retirado pela força e isso teria consequências imprevisíveis, a menor das quais seria a falência do modelo social europeu. A Europa não teria dinheiro para sustentar uma guerra desta envergadura e, ao mesmo tempo, alimentar os encargos sociais a que os seus cidadãos estão habituados. E isto seria o melhor cenário... porque o cenário de uma guerra total com mísseis nucleares a atravessar o Mediterrâneo em direcção à Europa não pode ser excluído.
Assim sendo, a questão da Turquia é perfeitamente fundamental neste momento. A Europa tem que decidir rapidamente qual o papel da Turquia na UE, ou membro de pleno direito ou nação com relações privilegiadas com a UE. De qualquer forma a decisão não pode esperar. O maior erro que a Europa poderia cometer seria ter a Turquia do lado de lá ou como país “neutro” nesta batalha.

domingo, setembro 18, 2005

Para "guru" ver


Para "guru" ver.

O finado argumento

Victor Baía teve ou não culpa no segundo golo do Rangers? Quase toda a gente foi unânime em considerar que não, que Baía não teve culpa e que o golo resultou de uma decisão errada da equipa de arbitragem. Mas houve duas grandes excepções. Co Adriaanse e Jorge Coroado consideraram que Baía errou, nem um nem outro fizeram referência ao erro clamoroso do árbitro e do bandeirinha.
Entretanto Co Adriaanse veio publicamente corrigir a sua avaliação do lance e dizer que afinal sempre tinha sido falta e que o golo deveria ter sido anulado.
Embora sem conseguir apagar totalmente a triste figura que fez, Co Adriaanse mostrou saber reconhecer o erro. Mostrou também que para além de defender um futebol “naif” (post de 3 de Agosto) é, ele próprio, um treinador “naif”. Não se entende muito bem que, sem ver as imagens na televisão, tenha emitido a sua opinião sem qualquer ressalva. Foi uma infantilidade e um erro bem mais grave que o suposto deslize de que acusou o Victor Baía. Numa figura pública estes erros pagam-se caro. O treinador do Porto embora a gozar o período de carência, não pode (ou não deve) abusar destes deslizes, sob pena de ter aqui no Porto o mesmo fim que teve no Ajax - ao que parece, por razões idênticas.
Posição diferente tomou Jorge Coroado. O ex-árbitro, exibindo uma notável falta de lisura conseguiu, apesar das repetições do lance a que teve acesso antes de publicar a sua análise, absolver o árbitro e condenar o guarda-redes do Porto. Apesar de tudo e como um (o) homem não é de ferro, teve necessidade de, dias depois, utilizar parte do espaço que dispõe no jornal “O Jogo” para tentar justificar o injustificável. Então, sem apresentar qualquer outro argumento válido, o ex-árbitro justificou a sua análise com a opinião de Co Adriaanse. Temos portanto um “expert” de arbitragem pago a peso de ouro, a analisar o trabalho de um árbitro com base na opinião de um treinador!
Por outro lado tínhamos um argumento vivinho da silva à custa do “naif” treinador do Porto, que sem aviso prévio decidiu assassinar em público e em directo o único argumento do "guru" da arbitragem.
Pois é, o argumento finou-se... e agora Coroado?

sexta-feira, setembro 09, 2005

Uefa Fantasy Football

Começou a UEFA FANTASY FOOTBALL. Para testarem o vossos palpites na Champions League deste ano vão a http://en.uclfantasy.uefa.com/ e inscrevam-se. Se quiserem participar na minha liga privada "Liga dos Campeões" aqui fica o convite e o código de acesso é 5615-1376.
Divirtam-se e boa sorte.

segunda-feira, setembro 05, 2005

(Eu)génio

Eugénio Queirós no seu blog “Bola na Área” vem exaltar a qualidade do nosso seleccionador. Para tal, entre provas de patriotismo feitas com pastéis de Belém e desmentidos de facilidades no jogo com o Luxemburgo, faz algumas revelações curiosas. Diz que Scolari lê (quem diria), que não tem medo de comentadores (até lhes chama filhos da puta), que põe os doutores do templo a salivar (estes doutores do templo salivam com cada coisa....) e que se prepara para levar Portugal a fase final do Mundial (depois de derrotar a poderosa selecção do Luxemburgo tudo é possível).
Podemos começar por aqui. Então não é o próprio Eugénio Queirós que diz que o “Golden Boy” (Cristiano Ronaldo) é o melhor jogador do mundo? Uma selecção que tem o Cristiano Ronaldo, o Deco, o Figo, o Pauleta, o Ricardo Carvalho, o Paulo Ferreira, o Maniche, o Costinha, o Jorge Andrade, o Simão e o Boa Morte tem que estar no Mundial, ou não? Uma selecção que tem, para todos os lugares, alguns dos melhores jogadores do mundo, incluindo o de guarda-redes (partindo do principio que qualquer deles é melhor que o Baía), tem que estar no Mundial. Já agora era interessante verificar quais seriam os jogadores de todos os adversários de Portugal neste grupo de qualificação que teriam lugar no nosso 11. Eu arrisco um palpite: NENHUM.
Os russos mais conceituados são Dmitri Sychev, e Egor Titov e não me parece que qualquer deles entrasse no 11. Da Eslováquia são Szilard Nemeth, Stanislav Varga e Marek Mintál e também me parece difícil que tirassem o lugar a algum dos habituais titulares. Da Letónia há o Marian Pahars, que desde 2002 tem andado mais tempo lesionado do que a jogar e quando joga não tem sido titular da selecção. Com os outros não vale a pena perder tempo...
Já agora e a titulo de curiosidade talvez seja engraçado lembrar o ranking de selecções da FIFA:
Portugal 9º, Rússia 29º, Eslováquia 45º, Letónia 64º, Estónia 82º, Liechtenstein 139º e o Luxemburgo 155º. Acresce a particularidade do Liechtenstein e o Luxemburgo estarem entre as 4 piores selecções da Europa (só para a FIFA, porque para o nosso (Eu)génio parece que não).

sábado, setembro 03, 2005

Milhões, ilusões e assombrações

O visionário presidente do Benfica vem agora dizer que “o shô Miguel vai ter de pagar dois milhões de euros ao SLB”, assim mesmo!
Justificações não houve nem eram necessárias, pois mesmo sem justificações os esclarecidos adeptos do clube dos 6 milhões irromperam em grunhidos de jubilo.
O problema é que após o SLB ter vendido os direitos desportivos do “shô Miguel” e ter recebido o que entendeu justo por tal negócio, não me ocorre, assim de repente, qualquer justificação para exigir mais dois milhões. Tal exigência teria algum cabimento no âmbito de um processo-crime (por difamação, injurias, etc), mas não há notícia que tal caminho tenha sido seguido. Mas mesmo que essa seja a intenção do presidente do Benfica, não se compreende como é que é ele próprio a definir o valor da indemnização e não o tribunal competente, uma vez que o valor da mesma está dependente das perdas e danos que o tribunal der como provados.
Caso diferente é o das indemnizações desportivas que têm formas de cálculo definidas, sendo por isso simples o cálculo das mesmas. Mas se o SLB vendeu, de livre vontade, os direitos desportivos do “shô Miguel” e recebeu o dinheiro (dizem que foi a pronto), então os dois milhões são algo que apenas os benfiquistas conseguem entender...
O eloquente presidente benfiquista disse ainda “aconselho-o a não abrir mais a boca sobre o presidente do Benfica porque nesse caso vou ter de dizer quem era o Miguel no Benfica, situações que o seu novo clube não iria gostar de saber!”
Parece que o “shô Miguel” continua a assombrar o erudito presidente. Cá para mim o “shô Miguel” sabe mais do que contou. Basta relembrar um pouco da história para nos darmos conta que o caso dos contratos nunca foi esclarecido e que a intervenção do presidente do sindicato dos jogadores neste processo também não ficou clara, em especial no que diz respeito ao texto que o “shô Miguel” acabou por ler, e que dizem as más-línguas não era igual ao que lhe tinha sido entregue antes.
Enfim curiosidades...

sexta-feira, setembro 02, 2005

Grand Theft Identity

“The hottest commodity on the black market today is your identity. Recent security breaches have left 50 million Americans exposed. As reports of ID theft soar, a look at how your info gets into the wrong hands - and what the bad guys do with it.”
In “Newsweek” International Edition – Edição de 30 de Agosto a 5 de Setembro

A “Newsweek”, com este artigo, levanta uma série de questões extremamente pertinentes e avança alguns números assustadores. É um artigo que aconselho vivamente e que pode ser encontrado na versão on-line da revista americana.

domingo, agosto 14, 2005

O Porto segundo Miguel Angel Lotina, treinador do Espanyol de Barcelona

"Foi campeão europeu e, pelo que mostrou, pode lutar com qualquer equipa, seja o Real Madrid, o Barcelona ou o Manchester"
"O FC Porto tem um banco de assustar, com jogadores que devem ter custado 20 milhões. São grandes", sublinhou para jornalista espanhol registar.
In “O Jogo” de 14 de Agosto 2005

Tem um banco e uma bancada de assustar, acrescento eu. Helton, Bosingwa, Jorge Costa, Bruno Alves, Pepe, Leandro, Nuno Valente, Paulo Assunção, Ibson, Diego, Leandro do Bomfim, Quaresma, Alan, Ivanildo, Hugo Almeida, Sokota, Bruno Moraes etc, davam para lutar pelo título e para que, pelo menos, 4 ou 5 entrassem de caras em qualquer equipa da superliga.
Claro que continua a haver uma “posição” mal preenchida. A posição daqueles “jogadores” que jogam habitualmente de negro e têm um apito... E como se viu na época passada e na Supertaça de ontem, essa é uma “posição” muito importante no futebol cá da terra.

Recycling III


Recycling III

“A model of the new house near Berlin made entirely of recycled concrete slabs from demolished communist housing projects”.
In Der Spiegel 29 de Julho 2005

Recycling II


Recycling II

“It sounded like a good idea at the time. Modern housing for everybody complete with running water, gas stoves and heating year round. And for millions of people living in Eastern Europe after the Iron Curtain sprang up following World War II, that part of the communist dream at least was realized. Pre-fab concrete towers sprouted up on the outskirts and in the centers of thousands of towns and cities across the Soviet Union, Central Europe and East Germany, providing the proletariat with modern apartments they could only have dreamed of in earlier days”.In Der Spiegel 29 de Julho 2005

Recycling I


Recycling I


“Eastern Germany's population is shrinking and leaving hundreds of thousands of empty buildings behind. With plans afoot to demolish 350,000 apartments worth of hideous, communist-era buildings made from pre-fab concrete, a Berlin architectural firm is recycling the material into immensely livable single-family homes”.
In Der Spiegel 29 de Julho 2005

sexta-feira, agosto 12, 2005

Tomasson? Kalou, assim Nondá!

Robinho, Maxi Lopez, Kezman, Pandiani, Tomasson, Kalou, Nonda e Saviola estiveram quase no “maior clube do mundo daqui a 5 anos”, estiveram quase a ficar sem receber no final do mês, estiveram quase a deixar de marcar golos durante um ano, estiveram quase a ser eliminados na primeira fase da Liga dos Campeões, estiveram quase a ser companheiros de quarto do Nuno Gomes (estiveram quase a acordar com o secador de cabelo às 5 da manhã) e estiveram quase a contratar o Dias Ferreira! Mas como não há bem que sempre dure nem mal que nunca acabe, lá estão eles contentes com a perspectiva de aquecerem o banco de um qualquer clube de meio da tabela.
Acerca desta novela dos ponta-de-lança, há quem diga que assistiu a um diálogo curioso entre o LFV e o Koeman:
- Ó Koeman, toma mais um.
- Tomasson? Kalou, assim Nondá!

quarta-feira, agosto 10, 2005

O Ocidente, a Europa, o Islamismo, a Al Qaeda, as atitudes e as motivações. Pensamentos e teorias.

Os atentados terroristas nos Estados Unidos, em Madrid e em Londres, são a consequência – ao contrário do que muitos querem fazer crer – das ambições de poder de alguns. O sonho de um novo Califado e o controlo de uma vasta região extremamente rica em petróleo é a razão primeira deste terrorismo de “base religiosa”, ou melhor, deste terrorismo que utiliza a religião para justificar o injustificável, para ganhar adeptos e peso social, mas que verdadeiramente pouco tem de religioso.
A Al Qaeda (os seus cabecilhas) está pouco preocupada com as questões religiosas ou com as “causas” que servem de justificação aos atentados (Palestina, Afeganistão, Iraque etc). A sua verdadeira motivação é a criação de um Califado pan-islâmico, um Estado islâmico único, que com o poder que o ouro negro proporciona, conseguiria chantagear o resto do mundo e até, quem sabe, o conseguiria conquistar. E de que é que estamos a falar? De imperialismo, imperialismo puro! Daquilo que acusam os americanos e os seus aliados.

Vale a pena recordar algumas frases proferidas, nestes últimos anos, por alguns islamistas radicais (In revista Atlântico 31/03/2005, artigo assinado por Paulo Tunhas):
“O Islão voltará à Europa como um conquistador vitorioso”. Yousef Al-Qaradhavi, a mais elevada autoridade religiosa da Fraternidade Islâmica.
“Sim, o meu sonho é colocar a bandeira do Islão no nº 10 de Downing Street”.
“Não fazemos a distinção entre civis e não civis, inocentes e não inocentes. Apenas entre muçulmanos e descrentes. E a vida de um descrente não tem qualquer valor”.
“ O 11 de Setembro fez os muçulmanos compreenderem que têm poder, que o renascimento do Islão é irreversível”. Omar Bakri, um dos líderes do “Londonistão”.
“A fonte de todos os tormentos e sofrimentos humanos é a “democracia liberal” promovida pelo Ocidente como pensamento político progressista”. Ali Khamenei, Líder Supremo iraniano.
É disto que estamos a falar. É disto que estamos a falar quando culpamos o Ocidente (ou alguns dos seus dirigentes) pelos atentados terroristas. É disto que estamos a falar quando tentamos encontrar as razões do terrorismo nas atitudes do ocidente.
Será difícil entender que as motivações de Bin Laden existiriam sempre e independentemente do que o Ocidente fizesse? Que Saddam Hussein tentaria sempre invadir o Kuwait independentemente do que o Ocidente fizesse?
Estes são dois exemplos de dois candidatos a califa, dois rivais que queriam (querem) o poder absoluto, mas há outros. O prémio é demasiado grande para haver desistências, é a glória ou a morte.
Após o atentado à escola de Beslan, na Ossétia do Norte, Omar Bakri disse: [não que não fosse legitimo os mujahidin matarem crianças, mas] “a culpa é dos russos”. É disto que estamos a falar quando alinhamos com ele e culpamos os russos, os americanos e todos os outros países ocidentais vítimas de atentados. É disto que falamos quando aplaudimos o Ministro dos Negócios Estrangeiros espanhol – Miguel Angel Moratinos – que no discurso após os atentados em Beslan nos convidou a “perceber” o que os levou a matar. Perceber a morte de 500 crianças? Perceber que as vítimas são os culpados e os culpados as vítimas?

Vamos então tentar perceber porque é que os terroristas islâmicos gozam desta impunidade entre alguns políticos e intelectuais do Ocidente. Uma das explicações possíveis é a de Paulo Tunhas, ele recorre a Freud e à sua tese sobre a “omnipotência do Pensamento”. Diz Paulo Tunhas: “ Um aspecto importante da crença na omnipotência do pensamento é a ideia de que nós mesmos somos portadores de actividade: o mundo inerte depende, por inteiro, da nossa vontade. Trata-se de uma ideia muito presente, se bem que de forma implícita e quase inconsciente, nos debates políticos dos nossos dias. E presente de uma maneira característica. Só nós enquanto civilização ou cultura (digamos: o ocidente), somos activos; os outros (enquanto civilizações ou culturas) sofrem de uma incontornável passividade. Quando alguém como Noam Chomsky apenas critica os Estados Unidos e o Ocidente, e não, por exemplo, regimes sanguinários como o dos Khmers Vermelhos, porque as exigências morais do EUA e do Ocidente são infinitamente superiores às do resto do mundo, está a dar-nos um exemplo óptimo deste preconceito e da hipervalorização ontológica da actividade do sujeito (ou da cultura, ou da civilização) própria à crença na omnipotência do pensamento”.
Para simplificar, até porque Paulo Tunhas tem uma obra que de forma alguma cabe aqui, o que Paulo Tunhas quer dizer (esta é a minha interpretação), é que para nós (ocidentais) o resto do mundo não conta. São primitivos, atrasados, coitados e burros, logo inimputáveis. É a mesma lógica que se aplica aos animais. Se foste atacado por um tigre foi porque fizeste alguma coisa errada, porque ele só seguiu os seus instintos.

Mas Paulo Tunhas introduz um outro conceito não menos interessante, o conceito de “racismo altruísta”: “Este tipo de atitude, sob as vestes de uma louvável abertura ao outro, e de um saudável anti-racismo, representa, de facto, a mais sofisticada forma de racismo – uma espécie de racismo altruísta, se assim se pode dizer. Um racismo que discrimina o outro em função da sua radical singularidade, sendo a singularidade considerada em si, sem qualquer espécie de cláusulas, como um valor positivo. Essa singularidade é o avesso da nossa própria identidade culpada, e, no seu excesso, tão imaginaria quando esta. De facto, o outro é apresentado como estruturalmente passivo e radicalmente inocente, movendo-se apenas por reacção, e pecando, se é que se pode utilizar a palavra, por angélica ausência de responsabilidade. O que significa: um menor, uma criança. A partir deste momento, o diálogo torna-se impossível, porque este exige que se suponha actividade e responsabilidade ao parceiro de conversa, bem como uma vontade comum de chegar a acordo”.

Mas há também outras abordagens (se bem que complementares) a este tema, mesmo do próprio Paulo Tunhas, de Fernado Gil e de Danièle Cohn no livro “Impasses”, ou de Mathias Doepfner (presidente do grupo de “media” alemão Axel Springer) num artigo fantástico publicado no “Público” de 8 de Agosto com o título “Europa, o teu nome é cobardia”.
Vou começar pelo artigo de Mathias Doepfner. Ele começa por dizer que o escritor Henryk Broder fez uma acusação demolidora à Europa ao dizer: “Europa, o teu apelido é apaziguamento”. Mas optou por pegar na frase de Broder e dar-lhe ainda mais força, converteu-a na mais grave acusação que se pode fazer a um estado ou a um conjunto de estados e tornou-a no título do seu artigo: “Europa, o teu nome é cobardia”!
Doepfner utilizou os argumentos de Broder e acrescentou mais alguns. Faz sentido, nesta análise, observar alguns dos argumentos de um e outro. É uma boa forma de combater a amnésia colectiva, que as notícias de 30 segundos no telejornal não ajudam a ultrapassar.
“O apaziguamento custou a vida a milhões de judeus e não-judeus, enquanto a Inglaterra e a França, aliadas na altura, negociavam e hesitavam tempo de mais antes de se aperceberem que tinham de lutar contra Hitler e derrotá-lo, porque ele nunca cumpriria um acordo”.
“Mais tarde, o apaziguamento legitimou e deu estabilidade ao comunismo na União Soviética, depois na Alemanha de Leste e, depois ainda, no resto da Europa de Leste, onde durante décadas governos desumanos, repressivos e criminosos foram glorificados”.
“O apaziguamento estropiou igualmente a Europa quando o genocídio assolou a Bósnia e o Kosovo. Embora tivéssemos provas irrefutáveis da carnificina, nós, europeus, continuámos a organizar debates e mais debates. Ainda estávamos na fase dos debates quando, finalmente, os americanos vieram do outro lado do mundo fazer o trabalho por nós”.
Ainda nos argumentos de Broder, podemos encontrar referências bastante pertinentes à postura da Europa relativamente ao conflito israelo-palestiniano e a Saddam Hussein: “A Europa ainda não aprendeu a lição. Em vez de proteger a democracia no Médio Oriente, o apaziguamento europeu, camuflado por trás da expressão ambígua da “equidistância”, parece muitas vezes aprovar os atentados suicidas cometidos pelos palestinianos fundamentalistas em Israel”.
Agora é a vez de Doepfner dizer: “Esta hipocrisia continua, mesmo depois de se descobrir que alguns dos maiores críticos da intervenção militar americana no Iraque lucraram milhões de dólares ilicitamente – na realidade, dezenas de milhares de milhões – com o programa, que se provou corrupto, das Nações Unidas “petróleo por alimentos””.
É interessante analisar este último argumento. A verdade é que, frequentemente, em política, as acusações servem para “gastar” os argumentos que poderão ser utilizados contra nós. A acusação de que os americanos foram para o Iraque para lucrarem com o petróleo é tão válida como a do contrário, ou seja, que alguns países da Europa não queriam os americanos no Iraque para não perderem os negócios e os lucros provenientes do petróleo iraquiano. É próprio de espíritos demasiado crentes, ou desonestos, acreditar que os americanos estavam mais interessados no petróleo iraquiano do que os franceses, por exemplo.
Esta técnica de “gastar” os argumentos foi utilizada relativamente aos interesses americanos no Médio Oriente, foi utilizada relativamente à postura imperialista dos americanos e foi utilizada, inclusivamente, acusando os americanos de terrorismo! Como é fácil verificar, estes argumentos podem ser usados, senão com mais, pelo menos com a mesma propriedade, contra quem os utilizou. Mas o principal problema não é esse, o principal problema é que há duas formas opostas de encarar o mundo. E nesta batalha tão importante, não há lugar para os neutros. A posição tradicional da Europa, a neutralidade, aqui não se aplica.
Como diz Doepfner: “Que atrocidades terão ainda que ocorrer antes que os povos europeus e os seus líderes compreendam o que realmente se está a passar no mundo? Está em curso uma espécie de cruzada – uma campanha especialmente pérfida que consiste em ataques sistemáticos de islamitas contra alvos civis, ou seja, atentados directos às nossas sociedades ocidentais, livres e abertas, com a intenção de as destruir por completo”.
“Hoje, deparamo-nos com um conflito que provavelmente durará mais tempo do que qualquer um dos grandes confrontos militares do último século – um conflito levado a cabo por um inimigo que não pode ser subjugado pela “tolerância” e “boa-vontade” porque, na verdade, ele é estimulado por esses mesmos gestos. Essas respostas já provaram ser sinais de fraqueza e serão sempre vistas como tal pelos islamitas”.
“Hoje em dia, a Europa faz-me lembrar uma velha senhora que, com mãos trémulas, esconde freneticamente as últimas jóias que lhe restam ao ouvir um ladrão arrombar a casa do vizinho. Apaziguamento? É apenas o começo. Europa, o teu nome é cobardia”.
Na sequência das ideias de Paulo Tunhas e Doepfner, talvez não seja descabido dar alguns exemplos. Vamos imaginar que eu e mais uns quantos, por não concordarmos com o aumento do IVA, com a construção do aeroporto da OTA ou com a nomeação do Armando Vara para a CGD, desatávamos a fazer atentados e a matar milhares de inocentes que viajavam de avião, metro ou comboio. Será que a opinião pública era de opinião que o que deveria ser feito era “entender” as nossas razões, por mais válidas que fossem? Será que iriam acusar o governo pelos atentados? Ou será, que pelo contrário a opinião pública pedia o regresso à pena de morte para esse tipo de crimes?
Será que acusamos o governo espanhol pelos atentados da ETA? Independentemente de concordarmos ou não com as razões dos bascos, não concordamos com os atentados nem confundimos os autores materiais dos mesmos com as suas vítimas.
Porque é que não temos a mesma postura relativamente ao terrorismo islâmico? Será por cobardia? Será por racismo (o tal “racismo altruísta” de que fala Paulo Tunhas)? Ou será por ambos?
Uma das primeiras coisas que aprendi enquanto gestor, foi que, independentemente de num determinado momento não me apetecer abrir um conflito com alguém, eu tinha que o fazer quando surgia o problema, não o podia adiar. Essa “agenda” não é controlada por nós sob pena de quando formos resolver o problema a solução ser muito mais difícil de encontrar e ser, provavelmente, muito mais “cara”. Os recursos exigidos e os danos causados são, em regra, muito superiores.
A Europa não pode continuar a assobiar para o lado, como se o problema não existisse. Tem que agir assumindo os custos dessa atitude, sob pena da factura a pagar no futuro ser muito superior.
Não depende de nós acabar de vez e rapidamente com o terrorismo, isto é claro para toda a gente. O que depende de nós é a forma de fazer frente ao problema.
Europa, que o teu nome seja coragem.
P.S. Como o "post" já vai longo, vou deixar a abordagem do livro "Impasses" para mais tarde.

quarta-feira, agosto 03, 2005

O Porto de Co Adriaanse

Este Porto mostrou melhor futebol num mês, do que qualquer outro da era pós Mourinho! Há opções discutíveis, experiências falhadas, resultados fracotes nalguns jogos, mas há uma lógica de jogo, há espectáculo e há personalidade.
Entenda-se que as criticas que eu tenho para fazer são resultado de uma análise à distância e não de informação privilegiada que não tenho.
Em primeiro lugar penso que apesar do futebol deste Porto ser um futebol extremamente atractivo – Co Adriaanse está a cumprir o que prometeu – é um futebol demasiado “naif” , ou seja, é um futebol com pouca “ronha”. Espero que seja fruto do pouco tempo de trabalho com este treinador e que com mais algumas semanas a equipa possa apresentar um futebol mais adulto, no sentido de saber gerir o jogo, o resultado e o relógio. Apesar disso, penso que este futebol poderá ser suficiente para consumo interno. Já tenho algumas dúvidas que numa competição como a Champions e sem a tal “ronha” a equipa possa ir longe. Uma coisa é certa, o AZ fez uma óptima campanha na UEFA – que apesar de estar longe do grau de exigência da Champions, é uma competição mais exigente que a nossa Superliga – com um plantel bastante inferior ao que Co Adriaanse tem agora à disposição. Por isso, o melhor mesmo é dar tempo ao tempo... Como última nota relativamente a este tema é importante lembrar que no jogo disputado na Holanda com o Sporting nas meias-finais da UEFA, o AZ só não eliminou os lagartos porque lhes faltou a tal “ronha”, ou um pouco mais de experiência internacional.
Por outro lado penso que, ou Co Adriaanse não joga com um número dez, ou então esse número dez não poderá ser o Postiga. O Postiga não é um organizador de jogo, é mais um avançado móvel, ou um segundo avançado. É um nove e meio, nem é um puro nove, nem é um puro dez.
Relativamente aos reforços, penso que têm mostrado qualidade, tirando os casos do Alan e do Sandro que não vi jogar integrados na equipa, os outros têm, no mínimo, cumprido. Quem, para mim, mais se destacou foram o Helton, o Jorginho e o Lizandro. Para mim não foi surpresa, por um lado já conhecia muito bem os dois primeiros e a única dúvida estava na sua adaptação. O Lizandro, para mim, também não foi surpresa porque sempre pensei que se iria adaptar melhor que o Lucho. As características do Lizandro são próximas das do Derlei, o que é sempre um bom cartão de visita. O Lucho já mostrou parte da enorme classe que tem, mas alguma falta de velocidade e um ritmo de jogo algo pausado têm retirado algum brilho às suas exibições.
Relativamente a Co Adriaanse, tenho uma opinião bastante favorável. Apesar de haver opções discutíveis, como a dispensa do Leandro Bomfim, a opção de jogar sem um verdadeiro número dez, ou ainda os poucos minutos dados ao Ibson, penso que é um treinador que sabe bem o que quer, que sabe criar rotinas de jogo e que sabe a forma de pôr a equipa a jogar como equipa. Além disso é um treinador que não olha a nomes ou a galões, para o bem e para o mal, ele decide apenas com base no rendimento de cada um. Com base na qualidade do contributo que cada um pode dar à equipa dentro do esquema de jogo por ele definido.
Por último e comparando este Porto com o de Couceiro – o de Fernandez também teve momentos de bom futebol, mas faltavam outras coisas – não há dúvida que a equipa merecia um treinador mais arrojado, mais corajoso. Logo a troca, em minha opinião, foi acertadíssima. Digo isto propositadamente antes de começarem os jogos a sério, para que a análise não seja prejudicada por outros factores que não a qualidade do futebol apresentado.
Em resumo, acredito que com este treinador a equipa possa voltar às boas exibições, às casas cheias e aos títulos. Mas acredito principalmente, que com a contratação de Co Adriaanse a SAD corrigiu a tempo um erro que poderia custar caro ao clube.

sábado, julho 30, 2005

Paris – Bragança – Paris

A empresa Aerocondor vai fazer a ligação aérea entre Paris e Bragança duas vezes por semana durante um mês (25 de Julho e 25 de Agosto). A mesma empresa promete manter os voos no futuro caso a experiência corra conforme o esperado.
Esta decisão da Aerocondor vem numa altura em que a opção Ota está a ser amplamente discutida e com ela a opção ou não de centralizar as alternativas de transporte aéreo em Lisboa. A maioria dos críticos da Ota argumentam que seria preferível criar condições nos aeroportos regionais para que estes possam ser uma alternativa válida de destino, em vez de Portugal centralizar os voos em Lisboa. Parece que têm razão, segundo a Rádio Ansiães:
“Fernando Lopes, director de marketing da empresa, refere que há muito tempo que vinham recebendo solicitações por parte da comunidade emigrante em França, mas só agora é possível realizar este serviço, graças à ampliação da pista do aeródromo de Bragança para mil e 700 metros.”
Os argumentos contra a opção Ota são inúmeros, mas o principal parece ser o de que a base militar de Alverca que fica logo ao lado e que conta com uma pista paralela à da Portela e por isso ideal em termos de tráfego aéreo, (a aproximação a ambas as pistas seria feita sem cruzamento de rotas) poderia servir no futuro como prolongamento do actual aeroporto. A isto junta-se a experiência do Euro 2004, em que a utilização da pista de Figo Maduro resolveu os problemas de um fluxo anormal de tráfego aéreo da Portela durante os meses em que decorreu o evento.
Vamos aguardar pelos argumentos do governo...

sábado, julho 23, 2005

Negócio da china


Fogos

O aluguer de meios aéreos para o combate a incêndios florestais é o melhor negócio possível neste país. Com a economia mergulhada numa profunda crise há já alguns anos, um negócio em que a procura excede a oferta e em que uma momentânea quebra de facturação nunca é alarmante, é o paraíso para os empreendedores nacionais.
Basta andar de olho no número de horas alugadas e se for necessário aumentar a facturação... rega-se um gato com gasolina et voilá... os gráficos de facturação disparam instantaneamente!
Mesmo as questões ético-morais que este negócio poderia levantar são discutíveis, afinal isto é Portugal, a política da terra queimada tem mais de trinta anos...

sexta-feira, julho 22, 2005

Mau sinal...

A demissão do Ministro das finanças Campos e Cunha é sem dúvida um mau sinal. Considerando que, independentemente de algumas gafes do ex-ministro, ele é um excelente técnico, era um ministro objectivo, pragmático e com a clara noção das necessidades e prioridades do país em matéria de contas públicas, esta sua demissão veio levantar algumas questões preocupantes.
Será que o partido começa a readquirir a força e influência no governo que parecia ter perdido? Será que os mega-negócios da OTA e do TGV são assim tão importantes para alguns que quem os tentar obstruir tem o destino traçado? Será que o rigor das contas públicas era pura retórica e não podia ser levado a sério pelo titular da pasta das finanças? Será que a opção politica de investir largos milhões na OTA e no TGV nunca tinha sido discutida com o agora ex-ministro? Será que alguma coisa mudou entretanto? Será que a causa foi mesmo o investimento público naqueles projectos? Será que o mau estar de largos sectores sociais (ministros, juízes, farmacêuticos, policias e um vasto número de funcionários públicos), que temiam a perda de regalias foi a principal causa da demissão? Será que a cabeça do ministro é suficiente para apaziguar esses “espíritos do mal” e deixar o governo mais tranquilo, com margem de manobra e vontade de fazer as reformas que o país exige?
Quando as dúvidas são tantas e tão sérias, então é mesmo muito mau sinal...

quarta-feira, julho 20, 2005

Definitivamente o Tour de Lance


Lance Armstrong

Se não houver um qualquer acidente, como uma queda grave ou um furo numa altura crítica da etapa, dificilmente alguém ganhará o tempo suficiente, até ao final do Tour, para roubar a amarela a Lance Armstrong. A única hipótese que resta, não havendo acidentes, é o contra-relógio de sábado, mas não me parece possível alguém ganhar mais de dois minutos ao americano num contra-relógio como aquele. Num percurso acidentado de 55,5 km em que a capacidade de sofrimento faz a diferença, o contra-relógio está mesmo à medida de Lance Armstrong.
Parece que só mesmo o anunciado final da carreira de Lance Armstrong, poderá permitir a vitória a outro corredor. O lote de candidatos, sem o americano, é imenso... mas para já, no Tour de 2005, candidato só há um. Não é por acaso que, depois das seis vitórias já conquistadas e com a sétima a caminho, o Tour de France é conhecido por muitos como o Tour de Lance.

terça-feira, julho 12, 2005

Carta de uma amiga em Londres

Londres, 8 de Julho de 2005


Vivo em Brick Lane, em Londres. A 5 minutos a pé da estação de Liverpool Street, onde uma primeira bomba explodiu nas caras e corpos de pessoas, por volta das 8.49 da manhã de 7 de Julho, ontem. Ontem à tarde, a caminho de casa de amigos, atravessei Hyde Park a pé ao lado de mihares de outras pessoas, olhei para o céu, ficou calor e pensei que mundo desumano de mundo de humanos é este. Ontem o meu pai estava em Londres e se não me mandasse uma mensagem às 2.30 da manhã a desmarcar o pequeno almoço juntos, teria ido por volta das 9 apanhar o metro à estação de liverpool street para ir ter com ele matar saudades. Ontem quando vinha a pé de casa dos meus amigos em Holland Park passei por uma mãe desesperada a caminhar com 3 miudos exaustos em direcção a uma casa fora de Londres. Ontem gostei do Tony Blair. Ontem continuei a achar o Bush um fantoche. Ontem entrei no autocarro e tentei não desconfiar do paquistanês sentado à minha frente. Ontem, enquanto caminhava ao fim da tarde em oxford street, em direcção a casa, vi o meu amor aparecer no fim da rua com a mão na bicicleta e fiquei contente por não ter sido a última vez que acordei nesse dia à beira dele. Ontem ao fim da tarde começou a chover e empacotei-me num autocarro de 2 andares, e tive medo de subir para o segundo andar. Ontem sai do autocarro e telefonei à minha mãe, disse-lhe que a amava e disse-lhe que se tudo acabasse amanhã tinha valido a pena. Ontem ela deve ter passado a mensagem aos meus irmãos. Ontem caminhei por Brick Lane, atravessei os restaurantes dos paquistaneses, bangladeshianos, e restante comunidade muçulmana – vazios - e alguém me disse “have a safe journey home”. Ontem queria que mais gente se tivesse lembrado que estou em Londres e que porra, esta merda do terrorismo bater à porta abala com as estruturas de um povo, de uma mulher e de um homem! Ontem tive pesadelos. Ontem à noite estava silêncio em Brick Lane.

Hoje deixei-me dormir até tarde, mas resolvi vir trabalhar, passar por Liverpool Street, vir de autocarro, sorrir na rua para um Hare Krisna que passou. Hoje vi no Público Online que há portugueses entre as vítimas mortais – lembro-me que ontem pensei como seria se isto acontecesse no Porto. Hoje apetece-me fazer uma declaração, declarar que estou com o povo londrino, que faço um pouco parte dele e que também eu quero mostrar a esses filhos das putas que acreditam em medo e bombas que apesar de abalarem com a vida, não a derrubam ou se a derrubam a gente constrói-a outra vez. Ou, como o meu amor diz, transformamo-la em outra coisa qualquer.
Obrigado Bárbara por partilhares connosco os teus sentimentos e por mostrares que a revolta vertida, em palavras, numa folha de papel, pode ser muito mais forte que qualquer acto de violência. Porque uma ideia transmitida, uma mensagem passada ao mundo, não pode jamais ser destruida por qualquer acto terrorista.
P.S.) Podes ter a certeza que ontem muita gente se lembrou que estavas em Londres...